Destino para DJs e turistas interessados no circuito da música eletrônica, o “Velho Continente” continua a pontuar milhas no mundo do entretenimento.
Por Bruno Calixto
Tratando-se de Europa, tudo é – literalmente – possível. O solo cultural é considerado para lá de fértil, principalmente no ramo do entretenimento e, sobretudo, em relação à música eletrônica. Tem espaço para todos os gêneros, desde o deep house (desacelerado) ao house (tradicional), sem contar os gêneros mais acelerados, como psy e trance. “O psy e o trance, principalmente, têm uma influência que é toda europeia”, destaca o DJ Ton Antony (http://soundcloud.com/tonantony) diretamente do Balneário de Camboriú, em Santa Catarina. “Se nós observarmos os rankings dos últimos anos da [revista] ‘DJ Mag’”, ele diz, “Tiesto e Armin Van Buuren vem se revezando nas primeiras posições”.
“Acredito que as apostas girem em torno do gênero dubstep”, dispara o DJ e produtor Bernardo Novaes, do Rio (www.bernardonovaes.com/presskit/bernardonovaes.zip). “Muitos acham esse estilo barulhento e confuso (inclusive eu), mas vem crescendo exponencialmente. Acredito que novos Skrillex (revelação do dubstep, ganhou três Grammys recentemente) venham surgir. O que conta é sempre a inovação”, conclui o DJ, certo de que é nos festivais que os países do “Velho Continente” apostam todas as fichas nos meses de verão.
O Sonar, em Barcelona, por exemplo, é um festival de música e artes que, inclusive, teve sua primeira edição em São Paulo em maio. Também é realizado o Creamfields, um dos grandes festivais mundiais que teve origem em Londres e com o tempo se tornou uma festa itinerante, também sediada em Buenos Aires, na Argentina, e em Florianópolis (SC). Os Estados Unidos não ficam de fora. Os americanos organizam o Ultra Music Festival que, segundo Ton Antony, “apesar de ainda ser uma novidade, já causa frisson na cena mundial”. Todos os maiores nomes da e-music se encontram em Miami durante os três dias de festa. O festival reúne DJs, produtores e músicos tanto da cena comercial quanto conceitual.
Por falar em nomes de peso, Bernardo Novaes inclui os de maior ascensão da cena mainstream: os jovens holandeses Nicky Romero e Hardwell, ambos com 23 anos. “O primeiro é pupilo de ninguém menos do que David Guetta. Já o Hardwell foi apadrinhado pelo monstro Tiesto”, ele resume.
E-music verde e amarela
Grá Ferreira, a ex-hostess que iniciou carreira como DJ e foi uma das grandes apostas de André Almada (empresário que comanda a The Week), conquistou o Brasil e está disposta a abraçar o mundo. Ela, agora, é uma das profissionais brasileiras confirmadas no casting do maior festival gay da Europa, o Circuit Festival. Grá engrossa o line-up da quinta edição do festival, realizado durante o quente verão europeu, entre os dias 2 e 12 de agosto, em Barcelona. Paulo Pacheco, Ana Paula e Renato Cecin também se apresentam no circuito de música eletrônica que, segundo Grá, promete novas festas, mais DJs e artistas, além de outras surpresas. Por lá, estão confirmados os DJs Abel, Ana Paula, Gra Ferreira, Isaac Escalante, Offer Nissim, Paulo Pacheco, Peter Rauhofer, Renato Cecin, Aron, Andre Vicenzzo, Ben Manson, D’Jhonny, Elias, Flavio Zarza, G. Martin, Giangi Cappai, Hector Fonseca, J. Louis, Javier Medina, John Dixon, Jordi Lights, Lydia Sanz, Marco Da Silva, Micky Friedman, Nacho Chapado, Pagano, Paul Heron, Phil Romano, Taito Tikaro, The Mae e Tommer Mizrahi.
Por falar em brasileiros na pickup, é impossível deixar de fora nomes como Gui Boratto e Marky, seguidos de Anderson Noise e Mau-Mau. “Marky foi o primeiro brasileiro a fazer sucesso tocando dubstep em Londres. Já Anderson Noise ocupou a melhor colocação no Top 100 da ‘DJ Mag’ entre os brasileiros até hoje. Gui Boratto é, neste momento, o produtor brasileiro mais valorizado e se apresenta frequentemente fora do país”, afirma Ton Antony, que também atua como colunista da revista “Lazer & Negócios”. Sem nunca ter colocado os pés numa carrapeta na Europa, o DJ Ton Antony, cujo background privilegiado tem como alicerce o deep house, resolveu apostar em um segmento referenciado mundialmente pelo DJ alemão Ian Pooley e produtores ingleses Ric McClelland e Spiritchaser. E explica: “Não são nomes populares dentre o público brasileiro, mas são grandes representantes do gênero reconhecidos internacionalmente.”
Para Bernardo Novaes, o destaque fica por conta do duo carioca Felguk – recente atração do Privilège -, que se apresentará em julho no Festival Tomorrowland (Bélgica), além do campeão de citações Gui Boratto, que, constantemente, faz apresentações internacionais. “Existem muitos outros, mas citei esses que são os mais bem-sucedidos na atualidade”, reforça o DJ carioca, que já recebeu convites para apresentações fora do Brasil de algumas gravadoras (E-Ibiza Digital, Solid Fabric e Southern Fried) pelas quais lançou suas músicas.
Tecnologia na pickup X cena underground
Ton Antony é enfático quanto aos “spots” de maior destaque na Europa: Londres no inverno e Ibiza no verão. “Berlim e Barcelona têm uma cena muito forte também. De uma maneira geral, eu penso que as novidades e inovações para a próxima temporada fiquem por conta das tecnologias”, ele opina, enumerando elementos como telões de led, projeções em 3D e live-acts (DJs que editam suas músicas ao vivo, mesclando instrumentos e vocais ao vivo).
Bernardo Novaes observa que a tecnologia está sempre a serviço da praticidade: “Eu utilizava até pouco tempo o Traktor Scratch Pro, em que carregava uma parafernália para todo club que tocava. Atualmente, meu case é composto somente de fone e pen drives. Rumores apontam que em breve será possível conectar um iPad no CDJ2000 da Pioneer, no qual você poderá carregar as músicas nos respectivos decks a partir do próprio gadget da Apple. Bacana, não?”
Para finalizar, um tipo de clube diferente dos que temos no Brasil são os clubes-porão de Londres como o Fabric, uma das melhores baladas de todos os tempos. Aliás, Antony lembra que o underground de Londres realmente é underground, no qual só se chega descendo escadaria abaixo. Tudo o que é capaz de seduzir qualquer turista a fim de emendar o dia com a noite na balada. Seja em qual idioma for. Concordando com o catarinense, o carioca Novaes aponta, inclusive, que a cena underground reconquistou o circuito da música eletrônica na Europa nos últimos tempos. Outro ponto sobre o mercado, conforme a opinião do DJ Novaes, é o crescimento, que contraria a crise econômica em que o continente vive. “Exemplo disso são conferências anuais consolidadas e cada vez maiores, como o International Music Summit, que acontece em Ibiza, e o Amsterdam Dance Event, que ocorre ainda este ano. Outro exemplo é o monstruoso Festival Tomorrowland, cujos 250 mil ingressos acabaram em apenas uma hora de venda on-line”, revela Novaes.
IBIZA, SEMPRE IBIZA
Ibiza sempre é palco de festas que caem no gosto popular. Uma delas é a tradicional festa dos Vagabundos, encabeçada pelo produtor Luciano Cadenza e que foi trazida, na Páscoa, para o Brasil, pela Green Valley, em Balneário Camboriú. Como sublinha o DJ Tom Antony: “Dois beach clubs dos quais me lembro e que também ‘sacodem’ o verão são o Nikki Beach e Café del Mar”.
Paraíso das baladas, o balneário de Ibiza é a “Disney dos Clubs” no verão europeu. Conhecido pelos seus famosos clubs e pelas festas “malucas”, o território da magia é também muito procurado por idosos e famílias. Mas a temporada tem início e fim todos os anos, e é muito aguardada especialmente pelo público jovem e GLS. Mas, atenção! Há quem diga que Ibiza só tem “vida” no verão europeu. Como muitos balneários de férias que vemos pelo mundo afora…
A melhor época para ir a Ibiza é agosto e setembro, quando o balneário tem menos turistas e um público mais seleto de europeus, especialmente DJs e famosos internacionais que realmente curtem a cultura da música eletrônica. Se você quiser ir no “melhor período”, escolha a quinzena ou semana de encerramento do mês escolhido. É quando se realizam festas exclusivas, rolam os melhores “sets” da temporada e tem a maior concentração de top DJs do mundo se apresentando ao mesmo tempo. Por isso, o apelido “Disney dos Clubs”.
Como chegar
Existem vôos regulares de boa parte da Europa para Ibiza no verão. Da Espanha, então, existem muitas opções diárias. Mas todo cuidado na imigração espanhola é pouco, principalmente para nós, brasileiros. Ao desembarcar na ilha, a dica é alugar um carro, pois a ilha é grande, são vários clubs e lindas praias para visitar. O preço da corrida de táxis é muito alto. Já no aeroporto, você começa a “sentir” Ibiza e entende que a ilha realmente vive dos clubs e os clubs vivem de Ibiza. Com uma sinergia perfeita!
Na hora de sair, para onde ir?
Em Ibiza, ao se deparar com tantas opções de clubs, algo em torno de 11, normalmente bate aquela dúvida: qual deles escolher? A primeira dica para uma boa balada é escolher pelos DJs e a segunda é saber qual o melhor dia de cada casa. Para ajudá-lo, existem posters e flyers das festas espalhados por toda cidade, sempre com o line-up da noite. Os melhores dias ou noites são de domingo a quinta. De sexta a sábado, normalmente, os clubs estão abarrotados e os DJs tocam sets muito comerciais. Mas e a prévia? Faça um esquenta. As bebidas nos clubs valem ouro, ou melhor, custam ouro. Uma cerveja long neck, por exemplo, pode chegar a custar $18 euros, uma garrafinha de água $15 euros…Vai vendo aí.
OUTRAS PISTAS
A Privilège Mag foi atrás e indica outras opções para você carimbar no passaporte.
Mykonos (Grécia)

A recente crise financeira pegou a Grécia de jeito. Tamanho foi o rombo, que os governantes se lançaram em um ato desesperado. Decidiram vender parte das ilhas gregas, entre elas uma fatia considerável da Ilha de Mykonos. Tida como um dos destinos mais exuberantes do planeta, Mykonos possui 105 quilômetros quadrados banhados pelo mais azul Mar Mediterrâneo. Um de seus distritos, Cavo Paradiso, atrai anualmente milhares de fãs de música eletrônica, sedentos por uma experiência estética única em raves. Caso você não seja um milionário para comprar uma ilha grega, porém suas contas estejam mais em ordem que as do Governo grego, vale à pena economizar para sentir de perto o sol mediterrâneo escaldando as construções helênicas de Mykonos.
Península da Crimeia (Ucrânia)
A cortina de ferro caiu e revelou as belezas dos estados soviéticos. A Ucrânia despontou como um polo turístico bastante atrativo. Coalhada de belas paisagens, a península da Crimeia entrou para o circuito de verão europeu. A festa de Kazantip é parada obrigatória para os aficionados em música eletrônica. Caso seu pique esteja menos turbinado, as fantásticas cavernas de mármore garantem bons momentos de deslumbramento. Tudo isso com as belas ucranianas fazendo fundo ao passeio.
Saint-Tropez (França)
Chega até ser clichê colocar a praia francesa nessa lista. No entanto, não há como escapar do charme elegante e tipicamente europeu dessa comunidade. Não se assuste ao se deparar com as esguias francesas se lançando ao mais deslavado topless em plena manhã. A despeito de suas belezas, Saint-Tropez ganhou impulso pela chegada de uma habitante ilustre. Em meados de 1950, a musa Brigitte Bardot se mudou e rodou alguns de seus filmes por lá. Data dessa época também a hoje tradicional regata “Les Voiles de St. Tropez”, que anualmente ocorre em outubro. Como ser chique é ser minimalista, Saint-Tropez também é um ponto de encontro de naturistas e nudistas em busca de um bronzeado integral, sem marcas de sunga ou biquíni para atrapalhar.








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