Fique em pé e tente encostar a ponta da mão no chão, sem dobrar os joelhos. A gente aposta que alguns sentiram dor, outros cumpriram a tarefa com satisfação e muitos ainda não conseguiram voltar à posição original. Parece piada, mas este simples teste não é nada comparado ao que Irina Kazakova faz com o próprio corpo. Se alguém disser que o trabalho dela é a dança, está certo. Se falar que é ginástica ou contorcionismo, também. Podemos definir como sendo um mix disso tudo, com uma generosa pitada de espetáculo. Alguns vão além e perguntam se ela tem algum osso pelo corpo. Difícil mesmo é conseguir desviar o olhar…
Essa jovem russa de 26 anos já rodou o mundo mostrando que o corpo também é arte. Moscou é a terra natal, mas hoje divide residência entre Los Angeles, Miami e Nova Iorque. Seu trabalho já foi aclamado em shows, programas de TV e no verão de Ibiza em 2012. Você pode estar se perguntando: o que ela faz em uma festa? É simples: encanta! Sua arte, aliada à música, tem a função de criar nas pistas uma atmosfera de fantasias, transportando o público para um universo sensorial diferenciado. O que se vê são movimentos precisos e quase inacreditáveis.
Todos estes componentes fizeram brilhar os olhos do Privilège, que resolveu trazê-la para uma temporada de espetáculos no Brasil. É a primeira vez que ela pisa em terras tupiniquins e, em pouco tempo, deixou sua forte marca nas noites dos três clubs. A aparição na festa de Natal em Juiz de Fora foi apenas o começo… Foram três meses de puro encantamento e, por isso, resolvemos trazer um pouco desta curiosa história para as páginas da Mag. Ladies and gentleman, Irina Kazakova!
Privilège Mag: Como você começou a seguir os passos da acrobacia e da dança? Conte-nos a sua história.
Irina Kazakova: Quando criança, minha mãe sonhava em ser bailarina. Contudo, não teve a chance de realizar seu sonho por viver em uma cidade pequena, onde não havia escola de ballet ou ginástica. A família era muito pobre. Minha avó trabalhava em uma fábrica e o pai dela não a apoiava em nada. Mas ela se alongava e acabou se tornando muito flexível.
Ao terminar o período da escola, deixou a pequena cidade e decidiu ir para Moscou. Trabalhou muito duro e ganhou seu apartamento do governo, o que hoje é impossível. Você precisa trabalhar dobrado para ser capaz de comprar um apartamento em Moscou, se você for de classe média. Então, quando eu nasci, já estava em uma grande cidade, com casa própria e pronta para fazer com que os sonhos dela se tornassem realidade.
Durante minha infância, eu fazia performances em diferentes eventos e concertos. É possível, inclusive, encontrar muitos vídeos meus na internet, especialmente da famosa dança da serpente. Tudo era muito divertido e o foco principal era a carreira de ginasta. Meus pais apostaram tudo na ginástica. Eles viam em mim o sonho de ser a número um do mundo. Cheguei a fazer parte da seleção russa de Ginástica Olímpica de 2002 a 2007. Mas eu nunca fui uma pessoa muito competitiva. Minha alma sempre foi de artista. Eu realmente adorava ginástica, mas detestava a pressão que colocavam em cima de mim. O público vê uma bela performance, mas não imagina o que está por trás disso. Treinava pesado de 10 a 13 horas por dia, fazia dieta especial, não tive infância e morava em um complexo esportivo. Era um dia de folga por semana… Com certeza, alguns momentos sempre ficarão gravados na minha memória.
Depois das minhas performances, eu adoro quando as pessoas vêm até a mim com lágrimas nos olhos e dizem: “É maravilhoso isso que você faz! Você realmente me inspira…”. Nesses momentos, eu me realizo. Ao contrário de quando eu ganhava uma competição importante, pois não tocava a alma das pessoas. É isso faz toda a diferença para mim!
Por que trabalhar em grandes clubs?
Adoro trabalhar nestes lugares, pois eu posso vivenciar a minha liberdade. Não preciso ter contrato para poder viajar para diferentes lugares e sigo à risca a minha vontade. Eu quero e sempre encontro trabalho em grandes clubs.
De que maneira você percebe sua performance dentro deste universo? Qual é o seu papel?
A festa que não se torna um show é como um aniversário sem bolo. Tenho o papel de criar uma atmosfera para a noite. É isso que faz o Privilège ser diferente e mais especial do que outros clubs do Brasil. Este é o espírito que faz Ibiza ser tão famosa. Há sempre algo novo acontecendo, o que não dá chance às pessoas de ficarem cansadas e das festas se estenderem até de manhã.
Qual foi a apresentação mais difícil em sua carreira?
Não consigo me lembrar exatamente de um momento específico. A apresentação mais difícil é aquela que paro para pensar muito sobre eu mesma. Claro que isso só acontece quando estão rolando coisas complicadas… Mas o importante não é o quão difícil é o caminho, mas como você o encara. A vida é um sonho, apenas pense em coisas boas e será feliz.
Viagens para diferentes destinos e culturas fazem parte do seu trabalho. Qual lugar chamou mais a sua atenção?
Você sabe que esta é a primeira vez que venho ao Brasil e eu estou amando muito o país! As pessoas aqui são felizes, amigáveis e conectadas com a natureza. Sem dúvida, um dos mais belos lugares do mundo! Estou muito empolgada com a minha viagem para o Amazonas por ser um lugar diferente de todos os outros que já estive antes. Para mim, este está sendo um momento para mudanças espirituais. Só tenho a agradecer ao Brasil! Ainda mais que sou vegetariana, pois aqui eu encontrei uma variedade enorme de frutas, sucos e vegetais. Estou tomando água de coco todos os dias e isso é como estar no paraíso. Eu realmente amo isso!
Em 2008, estive em Tóquio, no Japão, para um programa de TV dedicado a minha carreira. Passei duas semanas por lá e vi que o país é muito diferente também. No verão passado, Ibiza foi uma experiência incrível. Todos os dias com yoga, academia, belas praias, SPA, comida saudável. Tudo o que é necessário para meu corpo e o trabalho que eu faço. É claro que estava nos grandes clubs e festas. Isso me inspira e dá novas ideias para os futuros shows.
E quais são as novidades quando voltar para casa?
São tantas coisas acontecendo, mas agora preciso ter foco. Tenho muitos projetos. Um dos mais empolgantes é o trabalho com o incrível artista Jeff Wack. Faremos uma série de pinturas com imagens minhas em poses de contorcionismo para uma exposição. Quando voltar para Miami, também passarei seis dias trabalhando no Ultra Music Festival. Serão apresentações no palco principal para um público médio de 100 mil pessoas.
Além disso, antes gravei cenas como trapezista para o novo filme do produtor e diretor Michael Bay, em Hollywood. A expectativa é de que o longa seja lançado nos cinemas agora em março. Até o momento, este foi meu maior trabalho em Hollywood. Pretendo voltar durante o verão americano, mas para estudar cinema. Quem quiser, pode conferir meu trabalho no site (www.irinakazakova.com). Mas, quando estiver de volta, meu foco estará mesmo direcionado para um novo show. Ainda preciso manter os detalhes em segredo.
Quais apresentações mais marcaram sua carreira?
Quando fui finalista da versão russa do ‘America’s Got Talent’. Fui selecionada por uma das pessoas mais famosas e sábias da Rússia. Depois, viajei em turnê antes de me mudar para os Estados Unidos. Também passei por diversos lugares da Europa com o campeão olímpico de patinação, Evgeni Plushenko. Era muito divertido trabalhar com patinação, pois fazia a performance aérea sobre o gelo e as pessoas ficavam assustadas com o que viam. Também fui convidada especialmente por Madonna para o almoço de lançamento da nova marca de sua filha em Nova Iorque: a Material Girl.
Todos os anos eu faço show para o Ultra Music Conference em Miami. Em 2010, estava sozinha no palco, diante de mais de 90 mil pessoas. Esta foi a melhor sensação que já tive em toda minha vida. Em Hollywood, também é algo que está em andamento. Foram muitos momentos. Sou boa em comunicação e isso me ajuda a ser minha própria empresária. Tenho muitos contatos em vários países, então, sempre que quero ir a algum lugar, preciso apenas contar com a experiência que tenho.
Então, qual é o seu maior sonho profissional?
Fazer um show único para inspirar as pessoas. Fazendo com que elas se arrepiem pelo simples fato de assisti-lo.
Sabe aquela vontade de querer sentir tudo novo? De perceber o chão correr sob seus pés a caminho de lugares incríveis? Um desejo de viver novas sensações, de conhecer gente diferente, descolada? A tal da liberdade! Já sentiu? Provavelmente já. E sabe bem do que estou falando. Quando decidi escrever sobre os nove anos do Privilège em Búzios, pensei exatamente algo que desse conta de descrever este sentimento. Que tivesse “a cara” do club e fosse capaz de mostrar, para quem não o conhece, o que é viver a noite do balneário.
Logo, conclui que o caminho mais justo era ouvir quem já viveu como eu esta emoção. Aqueles que fazem o Privilège Búzios acontecer. Aí ficou fácil e seria uma deliciosa aventura. Parti para a cidade buscando pegar carona na viagem de gente de verdade, que sente correr a adrenalina na veia e que encontra neste pedaço do Brasil o melhor conceito de diversão, descanso e balada.
E foi aí que encontrei Janina, Júlia e Vanessa. Três cariocas que pensaram como muitos: curtir o final de semana no litoral norte fluminense. Em uma noite de sexta-feira, o trio de amigas teve a ideia de deixar a capital do estado. Saíram do Rio sábado bem cedinho e pegaram a estrada. Percorreram 165 km para viver intensamente aquilo que Búzios tem de melhor: o visual, o mar, o clima do interior com um toque de sofisticação, o charme, a badalação da noite e, claro, o Privilège.
É um ritual que, quase sempre, se repete quando precisam voltar a ser elas mesmas, recarregar “as baterias” e experimentar o mundo. “Nunca é igual. A gente passa um tempão da vida trabalhando, estudando, correndo atrás. Chega uma hora que pesa e a tensão toma conta. Aí é separar umas roupas, esquecer a rotina, colocar tudo no carro e ganhar a estrada. Chegar a Búzios é mágico. As coisas nunca são iguais. Sempre há o que descobrir…”. É assim, eufórica, que a médica Vanessa define o clima da viagem.
Ah, Búzios…
Longe da loucura do dia a dia de mulher antenada e independente, Vanessa e as amigas, depois de quase três horas de viagem, chegam ao destino mais procurado no interior do estado. Querem um dia de sol na praia de Geribá, uma entre as 23 praias que existem por aqui. Procuram uma noite inesquecível no Privilège e o domingão de descanso em lugares de tirar o fôlego.
Depois de deixar as malas no hotel, pegar canga, óculos e o filtro solar, hora de dar aquele mergulho. Sabe como é, né? Sábado de sol, água de coco, muita conversa e um bronzeado. Sim, porque elas querem uma “corzinha” para estarem ainda mais lindas para a balada. “Quem não gosta de se sentir bem, com a auto-estima lá no alto? Estar aqui é tudo o que alguém poderia querer para o fim de semana perfeito. Tenho comigo as minhas amigas, estou em Búzios e vou para o Privilège. A cidade me atrai exatamente porque une a tranquilidade das praias aos bons restaurantes e à agitação de sofisticados bares e boate. É incrível. O Privilège chegou para ser a melhor de Búzios e um dos melhores clubs do país”, descreve Júlia Schafer.
A opinião da universitária não podia ser mais acertada. Afinal, desde a inauguração, o Privilège recebe os TOP DJs dos cenários nacional e internacional da música eletrônica. Em um resgate rápido pelos nomes mundialmente conhecidos, temos Carl Cox, Kaskade, Sven Vath, Deep Dish, Ferry Corsten, Steve Angello, Solomun, Pete Tha, Zouk, Phonique e muitos outros. A casa, projetada pelo arquiteto Helio Pellegrino, foi erguida para ser um dos clubs mais disputados do Brasil. Exatamente o que o trio de cariocas procura para fugir da rotina: o melhor. O gás para voltar à realidade, elas encontram aqui.
Prontas para viver fortes sensações
A noite atrai e preparar-se para estar no Privilège traz à tona todo um sex appeal: cabelo, roupa, maquiagem, uma boa dose de adrenalina, amigos, sorrisos e ferveção. Hotel, alguns “bons” minutos cuidando do visual, Rua das Pedras, restaurante, comidinha leve, alguns drinks e, finalmente, o Privilège. Mais uma vez, elas vão se lançar na pista e deixar correr na veia toda loucura, hormônio, vontade de ser feliz e dançar, dançar… A balada vai ser perfeita!
“Depois de um dia na praia, vir para estas ruas tão estreitas, tão simpáticas, tão ‘de Búzios’ e ver gente bonita, bem produzida, à espera de fortes emoções só é possível aqui. Por isso faço tanta questão de frequentar o Privilège desde que fui apresentada a casa, há uns 6 anos. É a paixão a primeira batida da música, ao primeiro drink”, afirma Vanessa.
E eu pergunto: “E os amores, Vanessa?” Simpática ela desconversa: “Ah, o amor, esse não demora não. O amor por tudo isso aqui eu sinto logo que o sol ganha a porta da rua e a vontade de voltar vem com tudo. É quando me dou conta dessa vontade de não sair mais”.
A pista como sempre está lotada. É para lá que Vanessa, Janina e Julia vão. Mas vou deixar as cariocas curtindo a balada, um pouco sozinhas, e conhecer outros frequentadores do Privilège.
Gente bonita, interessante e badalada
Entre um set e outro, esbarro com Bárbara. Linda, ela revela de onde veio. É mineira de Juiz de Fora, tem 23 anos. Trabalha em uma das grandes multinacionais em Macaé e não vive sem uma boa dose de Privilège aos fins de semana. “Aqui é a extensão da minha casa, praticamente. Quando me mudei pensava que não encontraria uma noite tão boa quanto a do Privilège mineiro. Cheguei e vi que a casa também estava aqui. Tudo resolvido”.
As horas vão passando e todo mundo curte a seu modo. Os amigos se aproximam, circulam e, entre um esbarrão e outro, novas amizades acontecem. Bárbara e sua turma de amigos acumulam algumas boas histórias de pessoas que já conheceram por aqui. Entre essas “figuras” estão dois amigos noruegueses. Ela conta: “Eu e meus amigos caminhávamos pela Rua das Pedras, já nos preparando para, mais tarde, irmos para o club. De repente lá estavam eles, visivelmente deslumbrados com tudo que viam. Chegaram para conhecer Búzios e, atropelando as palavras, foram se apresentando. Queriam indicação de balada. Não demorou muito e já estavam enturmados e ansiosos para conhecer a casa mais badalada da cidade”. Não parou por aí. Depois de uma noite memorável, os noruegueses tomaram conhecimento do club de Juiz de Fora e decidiram conhecê-lo. E eles gostaram? “Lógico!”, finaliza Bárbara. Os rapazes voltaram para a Noruega e, até hoje, Bárbara mantém o contato e amizade com os estrangeiros.
Muitos visitantes
Iguais a eles, o balneário recebe milhares de turistas que se apaixonam pela noite do Privilège. Dados da Secretaria de Turismo de Búzios apontam que a cidade escolhida por Brigitte Bardot recebe um milhão de turistas por ano. A maioria (90%) vem a lazer. Mais da metade (60%) brasileiros vindos principalmente do sudeste, sul e centro-oeste. Os outros turistas são principalmente argentinos, chilenos e europeus. Os adultos e jovens com idade entre 25 e 31 anos representam 24% dos visitantes e os com idade entre 32 e 40 anos outros 24,5%. Ou seja, muita gente jovem, animada e disposta a aproveitar cada instante na Armação dos Búzios e no club.
“Privilège Búzios é símbolo de empreendimento de sucesso, da qualidade e da alegria do nosso balneário. Os jovens que visitam nossa cidade encontram a diversão que procuram aliada à infraestrutura que se espera de um estabelecimento desse porte”, afirma o secretário de Turismo da Cidade, José Márcio dos Santos. O Privilège Búzios, há nove anos, é destino certo para pessoas antenadas com o melhor da música. O segredo do sucesso é pensar sempre em conforto, satisfação e diversão. E por falar nisso… Onde anda o trio de cariocas, hein?!?
O que é bom fica!
Elas ainda dançam. Em cada sorriso, um brilho renovado. Um jeito de quem é feliz pelo simples fato de querer ser feliz. Decido interromper a diversão das meninas uma última vez, despedir-me. É quando Janina descreve bem o sentimento de estar ali. “É uma noite diferente, uma mistura gostosa. Quando resolvemos fazer as malas na sexta à noite (muitas malas para uma noite só, inclusive) queríamos relaxar, sair do Rio. Aqui tivemos a possibilidade de conhecer pessoas diferentes e de mente aberta. As pessoas têm curiosidade de saber de onde somos, puxam assunto e querem conversar. Volto para o Rio recarregada. Aqui, vivemos emoções diferentes, uma experiência legal e divertida. Dançamos até agora sem parar e nos divertimos ‘horrores’”. E ela, para encerrar, me faz a pergunta de sempre: “A gente olha em volta e se questiona: existe lugar melhor que este?”.
Sem rótulos, seguro e com uma aclamada técnica. Da Alemanha para o Privilège, ele é um dos nomes mais reconhecidos do deep internacional. Produtor, DJ e estudioso, Phonique é uma das revelações, nos últimos anos, da e-music. Já passou por grandes pistas pelo mundo afora, tocou entre os maiores, é ovacionado pela crítica e consagra gigs entre as favoritas de muita gente.
Phonique esteve à frente de diversos TOP #10 e recebeu elogios de nomes como Steve Bug e Sven Vath. Na cena deep, o disco “Good Idea” foi destaque entre o público especializado no gênero. Venceu o Beatport Awards e o DJ Awards Ibiza como melhor artista do estilo. E tem mais: ele já começou o ano sendo considerado por Tunísia Music Awards 2013 como o melhor produtor e DJ de deep house.
No Privilège, Phonique encantou na semana de Réveillon. Depois, Búzios, mais uma vez, o recebeu de portas abertas para a edição da Mansion Privilège. O belo sorriso chama a atenção e transmite a felicidade de um dos grandes nomes do verão deste ano.
E foi nessa oportunidade que a residente Amanda Chang conversou com ele. Este papo você confere a seguir:
Amanda Chang: Como foi o início da sua carreira?
Phonique: Comecei como DJ em Berlim. Logo depois viajei um pouco para fazer contatos e acabei produzindo. Até que percebi que o som que fazia tinha se transformado em grandes músicas, como “The Red Dress” e “For the time being”. Este foi o começo para outras viagens e novas faixas se tornarem populares.
Quais foram as maiores influências na consolidação do seu estilo musical?
Meu estilo pessoal foi construído em cima da música que eu gostava e no club em que trabalhava. Quando tinha 19 anos, escutava Laurent Garnier antes dele se tornar um famoso DJ e foi, certamente, o principal dos muitos DJs que me influenciaram. Depois, obcecado com os mais ecléticos DJs, curti muito Dimitri de Paris ou Jazzanova.
Quais características constituem a identidade do seu som?
Eu faço todos os tipos de música – do deep ao minimal, do slow a disco. Mas o principal é o fato do som ser quente e cheio de grooves.
Hoje, a cena underground se tornou mais acessível e democratizada. Ao mesmo tempo, podemos ver vários artistas desta mesma cena “torcerem o nariz” para esse som mais popular. O que você pensa sobre isso?
O problema é que existem muitos DJs pensando que devem tocar apenas aquele som mais acessível e não veem quando há uma oportunidade de fazer algo diferente. Atualmente, prefiro ouvir um house mais acessível em um refinado club, por exemplo, do que um dance music comercial. Mas se você está em um club underground vai tocar a mesma música? Este é o ponto.
E o deep house? Como podemos entender o estilo dentro deste universo?
O problema é geralmente a definição de deep house. O que a Beatport atualmente chama de deep house não é igual ao conceito usado para defini-lo há cinco ou quinze anos. Hoje, o deep é simplesmente house music, enquanto house music se tornou o termo para o comercial house. O verdadeiro deep house é para aquelas pessoas musicalmente mal-educadas e muito, mas muito chatas.
Este ano você foi considerado o melhor produtor e DJ de deep house pelo Tunísia Music Awards 2013. Como você se sente colecionando tantos prêmios?
Bom, é uma grande honra. Mas penso também que esse incentivo serve mais para eu fazer as pessoas dançarem em grandes festas do que para enfileirar prêmios na minha casa.
O que um DJ precisa para ser produtor?
É um trabalho completamente diferente. A única coisa que pode ajudar nisso é o DJ saber trabalhar na pista de dança. Mas ele pode usar esse conhecimento para complementar suas produções.
Você já iniciou a produção do seu novo álbum. Quais as novidades?
Meu próximo álbum ainda está bem no início. O que eu posso realmente dizer é que será novo.
Eu fiquei encantada com a voz de Rebecca Brown na época em que morei em Ibiza. “Feel what you want” e “One Step” são belas canções. Você tem planos para Rebecca em 2013?
Eu quero produzir uma nova música bacana e convidá-la para cantar.
Quais músicas não podem faltar na sua playlist?
Bom, existem algumas e agradeço aos pioneiros do software Rekordbox. Vou procurar manter os clássicos sempre comigo e nunca esquecê-los. Trentemøllers remix para Djuma Soundsystem ou “Strings of Life” são clássicos incríveis e nunca sairão da minha case.
Como você define a vibe das festas brasileiras?
As pessoas aqui têm uma energia incrível para se fazer uma ótima festa. Elas amam a boa música e colocam seu entusiasmo nela. O que mais um DJ pode querer?
Os produtores brasileiros têm ganhado cada vez mais espaço na cena internacional. Quais são seus favoritos? Você tem planos para alguma parceria?
No meu selo Ladies & Gentlemen, sempre trabalho com vários produtores do Brasil, como Bruno Be, Wehbba, Talking Props, Dubshape, Diehl e Fabrício Peçanha. Estou esperançoso em fazer um remix com um brasileiro muito talentoso: Fabo.
Se o lance é viver o melhor de tudo, a Privilège Mag também quer sempre o melhor. Pode ser bom, mas a gente quer mais. Não basta um rostinho bonito, procuramos por histórias, experiências e ideias bacanas. Não é preciso contar se você mesmo vivenciou e pode falar. Tampouco dizer que aconteceu, se a proposta é deixar registrado. Uma entrevista não é só um papo, é ver o mundo pelos olhos do outro. Falar que é um TOP não diz nada, queremos entender o porquê. Por fim, ouvir a música é pouco, se a gente pode conhecer e sentir o que ela diz.
Filosófico demais? Que nada. Estas palavras descrevem como encaramos o melhor do nosso trabalho. Quando falamos ‘nosso’, incluímos você que experimenta e ajuda a construir o mundo Privilège. E ele não seria nada, se não pudesse ser vivido. Veja, leia, reconheça e seja reconhecido, descubra, vivencie e aproveite o quanto quiser. Se ficar com aquele gostinho de quero mais, é sinal de que cumprimos a missão de fazer com que você encontre o melhor.
Nesta edição #43, tentamos explorar vários melhores caminhos. Com uma linguagem bem jovem e descontraída, a presença vip na revista fica por conta de Ellen Jabour. A modelo e apresentadora conta sua trajetória e revela seus novos projetos. O lifestyle da surf music é desvendado em um papo com o cantor que é apadrinhado por Jack Johnson. Seguindo o caminho do espetáculo, fomos atrás da russa Irina Kazakova para descobrir as melhores histórias de um show de contorcionismo.
Na cena eletrônica, o alemão Phonique está causando frisson no universo do deep e bate um ‘Papo de DJs’ com Amanda Chang. No Brasil, Carlo Dall Anese registra no ‘Diário de Bordo’ sua rotina de viagens em 11 gigs durante o mês de janeiro. E ainda tem setlist do DJ Kolombo, uma carona nas sensações daqueles que curtem a noite de Búzios e ‘muchas otras cositas’…
Pense no universo da e-music mundial. Logo você já começa a visualizar nomes de grandes estrelas, entre eles, o de Erick Morillo. O DJ e produtor norte-americano é detentor de uma série de prêmios mundiais e faz uma média mensal de 30 gigs durante a temporada de verão. Com personalidade sonora e ampla visão das tendências mundiais, Morillo é dono de um dos selos mais disputados da atualidade: Subliminal Records.
Em sua biografia, Erick diz que foi criado sob influências de ritmos latinos, reggae e hip hop e começou cedo nas pick ups. Mas o reconhecimento nos cinco continentes veio pela estourada track “I like to move it” (enquanto ainda era conhecido como Reel 2 Real’s, que compôs a trilha da animação “Madagascar” nos cinemas). Além disso, ele também já produziu ao lado de grandes nomes da música como Whitney Houston, Puff Daddy, Lady Gaga, Black Eyed Peas e muitos outros.
Não há como falar que 2012 foi normal para ele. No último ano, a cidade de Union City, do estado de Nova Jérsei, homenageou Erick ao dar seu nome a uma grande avenida. E, para nós, ele foi uma das atrações da semana de Réveillon. Ele passou pela exclusiva programação da Isla Privilège e dedicou momentos sublimes ao paraíso. Sem dúvida, uma das presenças mais marcantes do ano…
As festas e produções que realiza são reconhecidas, inspiram outros profissionais e encantam amantes da house music por todo o mundo. E foi neste clima que aconteceu o primeiro encontro entre Erick Morillo e André Marques. Em uma gig de Miami, a música do TOP DJ inspirou o residente Privilège a investir em sua paixão pelo house. Agora, quase nove anos depois, eles se reencontram nas páginas da Privilège Mag em um papo exclusivo.
André Marques: Como você descobriu que queria ser DJ e como foi sua primeira experiência?
Erick Morillo: Eu amo música desde que eu me lembro. Comecei a tocar aos 11 anos na minha cidade natal e decidi que assim que terminasse o ensino médio iria fazer o curso de engenharia do som no centro local de mídia e arte. Depois que eu fiz alguns ótimos e sólidos contatos com pessoas do mercado, comecei realmente a acreditar em mim e a amar minhas produções. Após o lançamento de “I like to move it”, viajei pela primeira vez para a Europa e experimentei realmente a cultura de DJ. Este foi o ponto em que realizei o que buscava como profissional. E como dizem: “O resto é história”.
“I like to move it” foi o marco para o início do seu trabalho. Como você avalia o antes e depois desse sucesso?
Essa música me impulsionou no mercado e, obviamente, as coisas se desenvolveram rapidamente para mim depois disso. O sucesso veio do nada e continua até hoje. Licenciei a música para três filmes do Madagascar, o que impactou três gerações. Assim, quando a escuto hoje, tenho que ter orgulho disso e, é claro, reflito sobre minhas conquistas desde então.
Qual foi a gig mais incrível da sua carreira e por quê?
Toco há tanto tempo, que destacar apenas uma festa entre todas é impossível. Por exemplo, destaco quando toquei no evento em memória da Princesa Diana em Londres. O Creamfield Buenos Aires, em 2008, também foi espetacular. Fiquei muito empolgado ao saber que estaria de volta ao Brasil. As pessoas são muito enérgicas e sempre prontas para a festa!
Em sua opinião, quais são as principais tendências da e-music mundial?
São muitas, do house ao techno, minimal, dubstep e trance. Há espaço para todos. Percebo isso na grande cena musical. As músicas se tornam grandes hinos com letras fortes e grandes batidas. Mas, eventualmente, tudo sempre se volta para o house.
Como você define seu som neste cenário?
Essencialmente eu toco house music, mas meus sets se diferenciam dependendo do local em que estou. Realmente gosto de tocar minimal e tribal house, mas nem sempre consigo oportunidades – às vezes, o melhor é tocar com amigos depois no after ou em um local mais underground e íntimo. Talvez eu deva fazer uma turnê por clubs undergrounds. Isso ainda é apenas uma ideia.
O que você acha que garantiu seu lugar entre os melhores do mundo?
Eu não vou além do meu caminho para tocar diferente de outros DJs. Apenas toco o que eu gosto e isso comprova que você pode estar junto dos melhores. Minha regra número um é manter minhas raízes e não me apegar ao que está apenas em voga. Sempre toco por mim mesmo, sendo gentilmente guiado pelo meu público. Isso é o que faz sentido.
Uma rua em Union City recebeu o seu nome. Como você se sentiu?
Senti-me muito grato ao ter uma rua com meu nome. Ser reconhecido pelas pessoas em minha própria cidade é uma grande honra. O que me deixa mais feliz é que posso servir de exemplo para as crianças, ensinando-as a sonhar alto e acreditarem em si mesmas. Se eu fiz isso, então, qualquer outra pessoa neste planeta pode!
Como balancear sua vida pessoal com sua agenda intensa?
Não é fácil. Penso que é realmente importante encontrar o ponto de equilíbrio entre os dois lados. Caso contrário, tudo acaba sendo apenas trabalho e nada de satisfação. Mas qual é esse ponto? Os meses do verão são realmente ocupados e não tenho muito tempo pra mim. É o período em que estou nas pistas europeias e volto aos EUA uma vez ao mês para minhas diversas residências. Por outro lado, durante o inverno, eu pego um tempo maior para mim e me dedico ao estúdio fazendo o que amo: música.
Quais são as novidades para 2013?
Muita música boa, primeiramente. Quero manter meus olhos nas produções do duo “T3KTONE” que está para lançar a produção “Beato f the drum”, pela Subliminal Records. Eles estão vindo para ser grandes!
PETE THE ZOUK chega com tudo na pista do Privilège JF, dia 04 de maio. O TOP Português que é um dos melhores do mundo consagrou momentos incríveis em Búzios e Angra. Sinta um pouco da vibe que ele conquistou no Réveillon 2013 da Isla Privilège. Aproveite para ler a entrevista dele para a Mag. Confira! (http://www.privilegemag.com.br/?p=1653)